quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ao poeta assassinado

Amo-te, poeta das roseiras.

Amo-te, sem nunca haver-te visto.

Conheço-te pelas palavras,

Tua força e brilho.

Amo-te como a um filho.

Odeio-te como a um pai.

Amo teus versos,

E o modo como os fazes.

Vejo-te ao longe,

Sob a forte neblina;

Miras-me com ar severo

E me sorris em seguida.

O teu corpo,

Jamais encontraram.

Mas tua alma, em rimas,

Pude conhecer.

Se te pudesse abraçar...

Se me pudesses beijar...

Mas te ceifaram a vida

Cinqüenta anos antes de eu nascer.

Ainda assim, és minha inspiração.

E me emprestas parte de tu’alma

Para eu compor versos que te lembram.

Esses versos de Amor.

Teus versos, que nunca se calaram.

Que se perpetuam num coração abrasado como o teu,

Que a paixão por um toureiro abrasou.

Amo-te, poeta das amoreiras.

Amo todo o teu esplendor.

Amo-te eterna e tristemente;

Na medida em que odeio o teu matador.

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