quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Humana-mente

A vida, ligeira e frágil,

Não depende só de nós.

Não depende só de nós,

Mas somos quem a leva em frente.

Não basta cuidar do corpo,

Deve-se sanar a mente.

Somos água e somos fogo,

Somos frios e também quentes.

Temos muitas qualidades,

Muitos defeitos também vemos.

Podemos escolher uma parte,

Mas o controle não o temos.

Somos grandiosos e medíocres:

Produzimos artistas e assassinos.

Somos o Bem e o Mal no mundo,

A cura e a ferida que geramos.

domingo, 18 de outubro de 2009

Prima Vita

As flores, quando nascem,

Têm cores e tons.

Assim como nós,

Têm desejos e paixões.

A flor, em sua vida,

Ao desabrochar de um botão;

É uma miniatura de nossa existência:

Cresce, dá frutos e vai ao chão.

Quando damos uma flor,

Ofertamos esta vida;

Entregamo-la a outrem.

Quem recebe uma flor,

Ganha um ser-vida,

E transforma-se também.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mu(dança)

Vaga é a vontade,

Vaga é a esperança;

Se no coração não há força

Ou certeza de mudança.

Mudamos todos.

Muda o mundo.

Transforma-se a vida.

Chega-se à morte.

Mudemos sempre

E a todo instante.

Sejamos uma metamorfose

Ambulante.

Mudemos sempre,

Mudemos tudo.

Só não podemos mudar

A vontade de estarmos juntos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Anatilde

Eres como una

Niña sabia.

Tu mente y corazón,

Baúles de historias,

Tesoro inmenso.

Tu habitación huele

Como un jardín

Húmedo,

Como la tierra

Que la semilla

Hace germinar.

Pájaro de luna

Que canta

Al salir el Sol.

Flor amarilla

Que brilla

Al subir la Luna.

El pasillo de

Tu corazón

Nos lleva a lo

Más profundo,

Que es tu alma.

Autoria: Daniel Martinez e Veronica Lindquist

Buenos Aires – 02/10/2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Outonal de Primavera A Lorca, In Memoriam

Hoje tenho no coração

Um sonho que lateja;

Uma sensação de temor

E uma certa clareza.

A luz que, de divina,

Cega; me conduz por

Caminhos sinuosos

E me leva de volta às trevas.

Uma vida não bastaria

Para acalmar todas as penas,

Mas uma certeza me diz

Que não temos só uma existência.

Seria o Bem algo que oprime?

E o Mal, como se acerta?

Torno-me um andarilho,

Na esperança de

Vagas promessas.

Hoje tenho no coração

Um sentir que fraqueja;

Uma sensação de temor

E uma certa tristeza.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Duas versões/Dos versiones

Botón

El aire que nos rodea

Y alimenta,

Germina el amor

Que nos nutre.

Amor que vuelve a nacer,

Tras largo periodo;

Tras sufrir toda la belleza

De un invierno frío.

Florece e irradia

Todos los colores

Que en el espectro hay;

Es prisma.

Vuelve a surgir y brilla,

Como el primer rayo de sol

En la primera mañana de

Primavera.

---

Botão

O ar que nos envolve

E alimenta,

Faz germinar o amor

Que nos nutre.

Amor que renasce,

Após longo período;

Depois de sofrer toda

A beleza do inverno frio.

Floresce e irradia

Todas as cores

Que do espectro são;

É prisma.

Ressurge e fulgura,

Como o primeiro raio de Sol,

Na primeira manhã de

Primavera.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vida

O coração a sentir, A razão a refletir. Na fronte uma dor Incontestável... Não morro por Querer seguir, Por querer saber Mais, para o final. Quero andar, ainda; Sofrer a vida: Vivê-la. Pois só se vive Quando se sofre. E só se sofre ao Viver. A vida é o Melhor lamento; É o melhor sofrimento Que podemos ter.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Fundo

Numa curva obscura da minha mente

encontrei-me atormentado.

Duas faces, duas pontes

e uma faca ensanguentada.

Nas mãos, uma pedra

cinza com detalhes brancos

e dourados.

Pendendo sobre o peito

uma medalha de latão

e diamante.

E atrás, uma cruz de

bronze, no horizonte

longe, longe...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A ironia da vida

A ironia da vida é querer seguir vivendo-a

Com a esperança de que ela nunca acabe,

Mesmo sabendo que o destino é incerto,

E que a morte nos leva à vontade.

A ironia da vida é saber que sem amor não há graça,

Ainda que saibamos que ele nos mata,

Mesmo sabendo que sem ele não se vive.

A ironia da vida é querer ser independente,

Mesmo sabendo que somos seres relacionais,

E que, portanto, dependemos;

Não vivemos sós.

A ironia da vida é querer sempre mais,

É fazer planos, é juntar, construir;

É viver em prol dos sonhos;

É sonhar incomensuravelmente.

A grande ironia da vida é sabermos

Que a única certeza que temos

É a do fim da vida;

É saber que um dia a morte vem

E nos arrasta, e não há volta.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A louca dança da vida

Olhando através da janela

aquele rio de fogo descer,

por um vale de árvores e

grama, varando o espaço;

Imaginei a vida como uma

peça teatral, na qual atores

e platéia inflamam-se e

gritam e, a girar loucamente,

entram e saem, e saem

e entram, freneticamente,

no ritmo e sem parar.

A Uma Vida Que Se Inicia E De Quanta Vida Há Num Problema Bom

O laço se rompe,

a casa abandonada serve

de abrigo, festivo

ao desencanto.

A corda que sofre

o rompimento da sorte;

A morte, queda solitária,

soturna qual uma flor

que seca morreu.

Toda a escolha traz

lágrimas para bem, para mal.

Todo labirinto leva a um lado

obscuro, desconhecido.

Mas leva...

A confusão nem sempre

traz o pranto, mas pode

elevar a alma, mover o

encanto.

A surpresa de um novo

problema pode gerar ânimo;

Pode não ser óbice,

às vezes é obséquio;

Resplandece, alivia,

promove a jornada,

reaviva a “alma”;

Faz lembrar bons tempos,

pensar nas novas horas,

seguir vivo,

festejar, amar, fazer amor.

Problemas bons são

solução para o tédio,

armas contra o desgosto,

ninhos férteis para os planos,

minas ricas para a ousadia.

Havemos de cultivar nos ninhos.

Havemos de perscrutar as minas.

Fazer do problema o remédio para a amargura.

Fazer do entusiasmo o amor.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Rosas

Rosas, rosas no sereno,

frias como lindas estátuas

de Vênus.

Rosas que da noite são

filhas e de noite vivem.

Estes são seres magníficos,

puros em cheiro e cor,

mórbidos em cheiro e cor...

Ardentes, libidinosos em

cheiro e cor...

Quero-te como a uma rosa,

que exala o perfume mais doce,

que lança ao ar a paixão mais quente,

que excita, que arde, elegante, de amor.

Morra comigo

Jogar-me ao lixo

e rolar na lama.

Procurei por você em

lugares recônditos,

mas não achei a faca

de meus sonhos, a lâmina

branda de seus olhos.

Fuja, enquanto há tempo;

Vá, enquanto o tempo ainda existe.

Vá e traga para mim

uma fruta macia.

Rompa a casca, marque o rosto

de nosso adversário e vá.

Busque a minha arma;

Dê-me aquele abraço

macio de adolescente no cio e

lamba-me, pois quero mais.

Ao fim, deite-se

sobre um cobertor,

como um elefante num rio,

como uma baleia no mar.

Deite qual uma mosca na pia,

qual uma vespa no ar e

morra; aquela pequena morte

é o nosso caminho.

Passagens à borda do muro

Caminhos que se cruzam

numa paisagem escura,

duas vielas, duas ruas,

sem calçada, sem fissura.

Casas sem teto,

prédios sem parede.

A escada da fortuna,

a morte ao espelho.

Casos sem solução,

notas rabiscadas por bêbados;

Um fio de luz aos pés

e uma caneta sem tinta no meio.

Quando a morte também sorri

A cripta estava aberta,

mas dentro só havia vento,

nada mais que ar se movimentando.

Uma vela acesa fazia reflexo

(do fogo) na parede de pedra.

Um machado de ouro, cravado

numa mesa de carvalho.

Uma gota d'água a cair

do teto, ruído bom

ao deitar-se à bacia.

Sob a mesa jazia o corpo

de uma mulher bonita.

E junto dela havia um copo,

o cálice sangüíneo.

Próximo à entrada, do muro de pedra, pendia

uma tocha apagada e sombria.

Duas caras, uma da sorte, outra da morte,

me viam.

A sorte me deu as costas;

A morte sorriu para mim.

***

E, enquanto a morte sussurra

ao pé do ouvido,

a fenda abre-se funda

no campo pobre do esquecimento.

(Fragmento)