Amo-te, poeta das roseiras.
Amo-te, sem nunca haver-te visto.
Conheço-te pelas palavras,
Tua força e brilho.
Amo-te como a um filho.
Odeio-te como a um pai.
Amo teus versos,
E o modo como os fazes.
Vejo-te ao longe,
Sob a forte neblina;
Miras-me com ar severo
E me sorris em seguida.
O teu corpo,
Jamais encontraram.
Mas tua alma, em rimas,
Pude conhecer.
Se te pudesse abraçar...
Se me pudesses beijar...
Mas te ceifaram a vida
Cinqüenta anos antes de eu nascer.
Ainda assim, és minha inspiração.
E me emprestas parte de tu’alma
Para eu compor versos que te lembram.
Esses versos de Amor.
Teus versos, que nunca se calaram.
Que se perpetuam num coração abrasado como o teu,
Que a paixão por um toureiro abrasou.
Amo-te, poeta das amoreiras.
Amo todo o teu esplendor.
Amo-te eterna e tristemente;
Na medida em que odeio o teu matador.

