quarta-feira, 19 de setembro de 2007

The End (Jim Morrison - The Doors)




Este é o fim, belo amigo
Este é o fim, único amigo, o fim
de nossos grandes planos, o fim
de tudo que estava de pé, o fim
sem segurança ou surpresa, o fim

Jamais lhe olharei nos olhos
Pode imaginar o que será de nós
Sem limites e livres
ávidos de alguma mão alheia

num mundo desesperado
Perdidos num deserto romano de dor
e todas as crianças atacadas pela loucura
todas as crianças insanas
esperando a chuva de verão

Perigo nos arredores da cidade
segue a estrada real
Cenas bizarras no interior da mina de ouro
segue a estrada oeste, meu bem
monta a serpente, monte a serpente
até o lago, o velho lago

a serpente é longa, sete milhas
monta a serpente, ela é antiga
sua pele é fria
o Oeste é o melhor, o Oeste é melhor
vem cá, faremos o resto

o ônibus azul nos chama
o ônibus azul nos chama
Motorista, aonde está nos levando?

O assassino acordou antes do sol raiar
colocou as botas
com face de antiga galeria,
disfarçou-se
e caminhou pelo átrio
Entrou no quarto da irmã
e fez uma pequena visita ao irmão
Seguiu então para fora
e chegou até uma porta
olhou para dentro.
_ Pai!
_Sim, meu filho?
_Quero te matar
_Mãe, eu quero...

Vem, meu bem, corre o risco conosco
Vem, meu bem, corre o risco conosco
Me encontre na traseira do ônibus azul

Este é o fim, belo amigo
Este é o fim, único amigo, o fim
Dói-me deixá-lo mas
jamais me seguirá
O fim do riso e das doces mentiras
O fim das noites em que tentamos morrer
Este é o fim.


(Tradução de Alberto Marsicano)

sábado, 15 de setembro de 2007

"El camino se hace al andar"

Buscamos uma rota
Queremos seguir uma estrada.
Em muitas idas e vindas
Topamos com inúmeros obstáculos
E surpresas.
Nossa vida é um eterno vagar,
É como o dia.
O dia e a noite,
Alternando-se.
Há horas mais claras
E outras mais escuras.
Há horas de tristezas e
E horas de alegria.
Nossa vida é uma eterna busca
Pelo mundo perfeito,
Pela estrada perfeita,
Pelo caminho certo;
E às vezes nos esquecemos
De que o caminho, se faz ao andar.


Una copa de aire

Una copa de aire
para bañarte con
el rocío...

Sonríe la flor.

Un beso en la mejilla
de la más alva piel.

Sonríe la flor.

Al morir no precede
la felicidad.
Pero al amanecer
permanece el frío.

Descansa el alma.

Pero el alba se estrena
oscura, aunque no sea
una puesta de sol.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

"Crepusculares"


A linha que cobre o horizonte
é de um amarelo-fogo incandescente.
O Sol é como um globo de brasas
que incendeia a terra
e cai pesado, deixando atrás de si
as fagulhas, ao longe.
A terra arde
com o fogo e o vento.
A Lua é o espelho que reflete
somente a luz do Sol,
pois seu calor se espalha
no vazio comprido do universo.
A luz doce da Lua
é como o farfalhar das ondas
à noite numa praia deserta.
As luzes do Sol e da Lua
se casam, eternamente,
perpetuando crepúsculos,
que são a morte do dia
e o nascimento da noite;
e são a morte da noite
e o nascimento do dia:
Crepusculares.

domingo, 2 de setembro de 2007

FAREWELL y los sollozos, por Pablo Neruda

1
Desde el fondo de ti, y arrodillado,
un niño triste, como yo, nos mira.
Por esa vida que arderá en sus venas
tendrían que amarrase nuestras vidas.
Por esas manos, hijas de tus manos,
tendrían que matar las manos mías.
Por sus ojos abiertos en la tierra
veré en los tuyos lágrimas un día.
2
Yo no lo quiero, Amada.
Para que nada nos amarre
que no nos una nada.
Ni la palabra que aromó tu boca,
ni lo que no dijeron las palabras.
Ni la fiesta de amor que no tuvimos,
ni tus sollozos junto a la ventana.
3
(Amo el amor de los marineros
que besan y se van.
Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.
En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.
Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.
4
Amo el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.
Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.
Amor que quiere libertarse
para volver a amar.
Amor divinizado que se acerca.
Amor divinizado que se va.)
5
Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
Ya no se endulzará junto a ti mi dolor.
Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.
Fui tuyo, fuiste mía. ¿Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.
Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.
Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.
... Desde tu corazón me dice adiós un niño
Y yo le digo adiós.

A outra freira, que satirizando a delgada fisionomia do poeta lhe chamou Pica-flor



Se Pica-flor me chamais,
Pica-flor aceito ser,
Mas resta agora saber
Se no nome, que me dais,
Meteis a flor, que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica
Que fico então Pica-flor.

Gregório de Mattos (1636-1695) Antologia Pornográfica, organizada por Alexei_Bueno, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2004